Livros para colorir o cérebro

Publico nesta edição uma seleção de quatro livros importantes para a literatura contemporânea. Os temas são diversificados, sendo que os escritores são da América do Norte, do Peru, da Hungria e da Itália. Primeiro da lista, ‘O Pintassilgo’, da escritora americana Donna Tartt (1963), levou o prêmio Pulitzer de 2014 e se tornou best-seller. Na sequência está o romance ‘Travessuras da Menina Má’, do peruano Mario Vargas Llosa (1936), Nobel de Literatura em 2010. “Sem Destino”, primeiro romance do escritor judeu húngaro Imre Kertész (1929), Nobel de Literatura de 2002, surpreende ao abordar com outro ponto de vista o Holocausto; enquanto ‘Madame Butterfly’, que traz uma das mais famosas óperas do italiano Giacomo Puccini (1858-1924), narra a história de um tenente da marinha que se apaixona por uma gueixa.

O Pintassilgo, de Donna Tartt

Donna Tartt

Theo Becker, um adolescente nova-iorquino, é suspenso da escola, o que leva sua mãe a acompanhá-lo até o colégio. No trajeto de táxi contratempos os fazem descer no meio do percurso e entrar numa galeria de artes que sofre um atentado terrorista. A mãe do jovem está entre as vítimas fatais, o que o torna órfão, pois seu pai os abandonara meses antes. É a partir deste ponto que a trama do terceiro livro da escritora americana Donna Tartt se desenrola. Theo passa a carregar consigo além da culpa pela fatalidade, O Pintassilgo, quadro raro do pintor holandês setecentista Carel Fabritius. Sua mãe adorava a pintura. ‘O Pintasssilgo’ venceu o prêmio Pulitzer de 2014, já foram vendidos mais de 1 milhão e 500 mil exemplares nos EUA, além ter ficado mais 40 semanas na lista de best-sellers do ‘New York Times’. Companhia das Letras, 728 páginas, R$ 49,50.

 

Travessuras da Menina Má, de Mario Vargas Llosa

Mario Vargas Llosa

Publicado em 2006, ‘Travessuras da Menina Má’ é marcado por idas e vindas de uma mulher instável na vida de um peruano que realiza, ainda jovem, o sonho de viver em Paris. Para isso, o personagem-narrador Ricardo Somocurcio se tornou tradutor e intérprete de inglês, espanhol e russo. A menina má, Lily, se apresenta com diversos nomes, vive vários casamentos (de acordo com suas conveniências), mas nunca deixa de se esbarrar, em momentos e lugares diferentes, na vida de Ricardo. No decorrer do livro, de 304 páginas, acaba sendo mostrada também a história do mundo entre os anos 1960 a 90, por conta das localidades em que os encontros ocorrem, como Peru, Paris, Madri, Londres, Tóquio. Mario Vargas Llosa é, além de escritor, jornalista, ensaísta e político. Alfaguara Brasil, 304 páginas, R$ 49,90.

 

Sem Destino, de Imre Kertész

Imre Kertesz

Primeiro romance do escritor judeu húngaro Imre Kertész, Nobel de literatura de 2002. Embora aborde o Holocausto, ‘Sem Destino’, publicado em 2003, narra os acontecimentos sem dramatismo, nem tom moralizante. O personagem principal, o judeu György Köves, então com 15 anos em meados de 1943, passa por três campos (Auschwitz, Buchenwald e Zeitz). Após um ano e meio enclausurado ele volta para casa e se revolta com a visão negativa difundida quanto aos acontecimentos nos campos de concentração que para ele são inverdades, muitas vezes ditas por pessoas que nunca foram presas. O autor nega se tratar de um livro autobiográfico. Planeta, 180 páginas, R$ 45,00.

 

Madame Butterfly, de Giacomo Puccini

Madame Butterfly

‘Madame Butterfly’ é uma das óperas mais executadas pelo mundo. O romance, publicado no Brasil em 2011, retrata a tentativa de aproximação dos EUA com o Japão durante o século 17, por meio de expedições que levavam oficiais americanos que forjavam laços de amizade com o Império do Sol Nascente casando-se, temporariamente, com jovens japonesas. Cio-Cio san (borboleta em japonês), então com 15 anos, acaba se apaixonando perdidamente pelo oficial Benjamin Franklin Pinkerton, com quem se casa. Como de praxe, Benjamin a abandona. Tempos depois o oficial descobre que teve um filho com a gueixa e, casado com outra mulher, volta para buscá-lo. Ao ver seu amor com outra Cio-Cio san comente suicídio. Giacomo Puccini (1859-1924) é considerado um dos maiores expoentes das óperas realistas do século 20. Também são dele as óperas ‘La Bohème’, “Tosca” e ‘Turandot’. Actes Sud, 197 páginas, R$ 46,00.

 

Leave a Reply

You may use these HTML tags and attributes <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>