Cinco lugares inspiradores

Curiosidades e acervos artísticos e arquitetônicos da história do Brasil, alguns pouco conhecidos, podem ser conferidos em cinco destinos localizados em Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Pernambuco. Nesta post estão listadas características da Chapada dos Veadeiros, na Vila de São Jorge, distrito de Alto Paraíso de Goiás — atualmente rota de ecoturismo, mas que já foi ponto importante de mineração de cristais; as peculiaridades de Embu das Artes, em Itapecerica da Serra (SP) — uma cidade com vocação para acolher artistas; o Centro de Arte Contemporânea Inhotim, no município de Brumadinho (MG) — tido como o maior centro de arte ao ar livre da América Latina, com direito a jardim botânico, lagos ornamentais, galerias e listado como um dos 25 melhores museus do mundo; Sete Povos das Missões, hoje municípios da Região da Fronteira do Rio Grande do Sul — formados pelas últimas missões jesuítas e que reúnem ruínas e marcas arquitetônicas de séculos passados que remontam à colonização do país; e o Centro Histórico de Olinda (PE), no qual mais de um terço da cidade é tombada como patrimônio histórico.

Chapada dos Veadeiros — Vila de São Jorge, Alto Paraíso de Goiás

Chapada dos Veadeiros

Com o fim do apogeu econômico vivenciado pela atividade garimpeira em busca do cristal de quartzo, no início do século 20, os moradores da região passaram a explorar os atrativos naturais do local por meio do ecoturismo. Devido à abundância desse mineral, o principal garimpo foi o de São Jorge, a Oeste da Chapada dos Veadeiros, que viria a se tornar a Vila de São Jorge, distrito de Alto Paraíso de Goiás. Os antigos garimpeiros e suas famílias constituem a maioria da população (formada por cerca de 500 habitantes). Em feriados e temporadas é intensa a vida noturna na vila, que remete às pequenas vilas praianas. A Chapada dos Veadeiros é considerada um dos mais belos santuários conhecidos. Possui o mais antigo patrimônio geológico do continente. Segundo pesquisa da Nasa, é o ponto de maior luminosidade visto da órbita da Terra, em decorrência da grande quantidade de quartzo, dentre outros minerais. Somam-se a isso as paisagens do Cerrado, propícias a trilhas e caminhadas. Na vila o visitante encontra com facilidade pousadas e guias turísticos.

Embu das Artes — Itapecerica da Serra, São Paulo

embu das artes

Localizado na microrregião de Itapecerica da Serra, Região Metropolitana de São Paulo, o município de Embu das Artes é, oficialmente, uma estância turística — o que lhe garante verba estadual específica para o setor. A localidade, habitada por índios até o século 16, curiosamente é conhecida hoje como uma cidade com vocação para acolher artistas. Essa peculiaridade começou a se projetar em 1937 com a premiação conquistada pelo santeiro de Embu Cássio M’Boy, que ficou em primeiro lugar no Grande Prêmio na Exposição Internacional de Artes Técnicas em Paris. Antes M’boy foi professor de diversos artistas que iam ao município. Sua casa recebia sempre expoentes do Movimento Modernista de 1922 e das Artes, como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Oswaldo de Andrade. A cidade pôde agregar “das Artes” ao seu nome oficialmente somente após 2011, a partir de plebiscito encabeçado em 2009 pelo então prefeito Chico Brito. De seu patrimônio histórico-cultural destacam-se a Capela de São Lázaro (esculpida em madeira pelo artista Cássio M’Boy em 1920), o Museu de Arte Sacra (arquitetura com características em estilo barroco paulista e acervo rico em imagens de anjos, santos e personagens bíblicos — feitos entre os séculos 17 e 19), o Conjunto Nossa Senhora do Rosário (formado pela igreja e pela antiga residência dos padres, erguidos na mesma edificação por volta de 1700), o Centro Histórico (muitas galerias de arte, móveis rústicos, lojas de artesanato local, gastronomia típica e internacional) e o Centro Cultural Mestre Assis do Embu (acesso grátis à arte, cultura e conhecimento, instalado no prédio da prefeitura).

Centro de Arte Contemporânea Inhotim — Brumadinho — Minas Gerais

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É considerado um dos mais importantes acervos de arte contemporânea do Brasil, além de o maior centro de arte ao ar livre da América Latina. A área de visitação compreende jardins, galerias, fragmentos de Mata Atlântica, edificações e cinco lagos ornamentais com espelho d’água. No Jardim Botânico há 4300 espécies em cultivo. Em 2014 o site TripAdvisor elegeu o Museu de Inhotim como um dos 25 mais bem avaliados do mundo pelos usuários. As exposições selecionadas para o Centro de Arte Contemporânea são sempre de artistas renomados. Já passaram por suas galerias trabalhos de Rivane Neuenschwander, Hélio Oiticica, Matthew Barney, Cildo Meireles, Chris Burden, Tunga, Vik Muniz, Ernesto Neto, Doug Aitken, Yayoi Kusama, Marcellvs, Paul McCarthy, Zhang Huan e Valeska Soares. Abre de terça a domingo e aos feriados. Curiosidade: o espaço que compõe o centro de arte, no século 19, foi uma fazenda de propriedade de uma mineradora cujo responsável era um inglês que ficou conhecido localmente como Nhô Tim (denominação que viria a originar o nome do local).

Sete Povos das Missões — Região da Fronteira do Rio Grande do Sul

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Complexo de ruínas e marcas arquitetônicas de séculos passados que remontam à colonização do país, composto por sete aldeamentos indígenas originados por jesuítas espanhóis no então Continente do Rio Grande de São Pedro, hoje Rio Grande do Sul. Por estarem localizados a leste do rio Uruguai, os Sete Povos das Missões também são conhecidos como Missões Orientais. A atual formatação começou a partir do afastamento dos jesuítas da região, que fugiram com a chegada dos bandeirantes. Formam os Sete Povos das Missões as cidades de São Francisco de Borja, São Nicolau, São Miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São João Batista, São Luiz Gonzaga e Santo Ângelo Custódio. Juntos, os sete municípios constituem um importante capítulo da história desse Estado, pois ajudaram na delimitação de suas fronteiras e originaram parte considerável do folclore regionalista de teor heroico, que surgiram em torno das figuras dos padres e índios. Verifica-se alto nível de complexidade nas artes feitas na região, bem como características urbanas e de equilíbrio social. O acervo cultural pode ser visto em museus repletos de relíquias e coleções ainda privadas, além dos próprios sítios arqueológicos, que são Patrimônio Nacional tombado pelo IPHAN.

Centro Histórico de Olinda – Pernambuco

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Compreende a área histórica de Olinda, na Região Metropolitana de Recife, capital de Pernambuco. Estima-se que atualmente cerca de um terço da área total de Olinda seja tombada como patrimônio histórico. O início da preservação do acervo data da década de 1930. Em 1980 o Congresso Nacional declarou o Centro Histórico de Olinda como Monumento Nacional e em 1982 a Unesco o reconheceu como Patrimônio Mundial. A cidade de Olinda foi fundada em 1535 e se tornou capital devido à sua localização estratégica. No século 16 já era um importante polo econômico, sobretudo pela cultura da cana-de-açúcar. A riqueza acumulada desde então motivou a invasão dos holandeses em 1612, que depois decidiram abandonar a cidade e a incendiaram, fazendo com que a capital fosse transferida para Recife. A reconstrução de Olinda começou por volta de 1654, sendo que pouco restou ileso. Dentre as construções que resistiram ao incêndio está a Igreja de São João. O traçado irregular das ruas da cidade vem da influência medieval. Dentre os destaques turísticos estão as inúmeras igrejas e conventos com acervo barroco, além das casas com forte influência colonial do século 18 e características portuguesas — sacadas em pedra ou madeira, fachadas e grandes quintais. Em Olinda também se sobressai a forte manifestação da cultura popular de seus moradores, com destaque para a cerâmica com talha artesanal, frevo e carnaval, dentre outros festejos típicos.

1 Comment
  • J. R. Breseghello

    Inspirou-me só de ler! Grato!

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